Páginas

29 de out. de 2009

Sétimo depoimento: Revólver!


De Isabela Bertho

Sempre matei muitas pessoas. Muitas antes de chegar à mão daquele homem. Sentia pena, mas o que eu poderia fazer? Era eu que as matava, não por minha vontade, e sim obrigado a fazê-lo.

Via o sangue escorrer e sentia o suor da mão do meu dono. Às vezes, me jogavam no mato, depois me buscavam. Limpavam-me, cuidavam de mim.

Então, chegou o dia em que fui vendido. Aquele velho, bêbado, que me apontava para seus filhos e para sua esposa, mais tarde falecida. Guardado as sete chaves, contudo mostrado sem medo, era assim a minha vida.

Naquele dia, o velho me levou para o parque. Como sempre, começou a beber. Estávamos sós até que seu filho chegou. Começaram a discutir. O velho, enlouquecido, começara a correr, quando de repente, se virou, me apontando fortemente para seu filho.

Senti medo, pensei: Velho, não faça isso! Matar teu próprio filho?

Num repente, o filho salta para o pai, tentando me tirar dele. Porém, não sabendo como, disparei. Acertei não o filho, e sim o velho.

Gritei, chorei, fui jogado no chão, me sujando com o sangue do meu próprio dono! Vi o jovem filho correndo, aflito, desesperado, era inocente, não poderia ser preso!

- E foi isso que aconteceu. Ele é inocente. Eu sou o culpado!

Um comentário:

  1. Adorei o texto hein!!
    Enqto o revolver se sente culpado, os grandes responsaveis geralmente nem ligam se estam tirando a vida de uma pessoa ou de um animal... esse revolver é mais ético que mta gente hehe
    Bjos!!

    ResponderExcluir